A Assembléia Legislativa de Mato Grosso gasta um bom dinheiro com jornalistas e publicidade, foram mais de 17 milhões de reais só em 2010. Uma montanha de dinheiro, convenhamos. Parece que nossos deputados têm sede de transparência, sofrem de uma espécie de incontinência informativa crônica, como bem definiria Odorico Paraguaçu. Será? Engraçado, não faz muito tempo lia sobre a dificuldade enfrentada pelo jornalista Fábio Pannunzio para ter acesso ao lotacionograma com o nome dos servidores da AL, seus cargos e salários. E olha que, pelo que entendi, tal informação deve ser publicada no Diário Oficial, divulgada na Internet, deve ser exposta com a mesma insistência com que os serviços de telemarketing tentam nos vender o que não queremos comprar. Mesmo o montante do que gasta com imprensa e publicidade a AL não parece assim tão empenhada em divulgar. Aparentemente os dados somente foram fornecidos porque o Tribunal de Justiça obrigou os deputados a apresentarem a relação dos gastos. Teria sido uma informação prestada meio que na marra, meio a contra-gosto, pelo que entendi.
Tento não achar, assim de saída, que a AL não tenha o que dizer, o que informar ao cidadão. E até compreendo que se gaste algum nesse esforço de informar. Mas tanto dinheiro assim? E para quê? Para nos manter realmente informados sobre o que acontece e o serviço que nos prestam ou para comprar e silenciar aqueles que deveriam nos manter bem informados? Segundo alguns, segundo muitos!, é para isso que esse dinheiro serve.
Mas vamos imaginar que nossos representantes, mesmo os que tenham as fichas mais sujas, mesmo os mais corruptos e contumazes compradores de votos e sabe Deus do que mais, não gastem dinheiro da AL, nosso dinheiro!, para silenciar a imprensa - e que nem os jornalistas e nem os donos de veículos aceitem receber dinheiro para se manter em silêncio, para desinformar seu público, que absurdo! - e tentemos acreditar que podem ter sido mais de 17 milhões inteligentemente e republicanamente bem investidos. Vamos tentar, vamos tentar. Nesse caso, já que pairam dúvidas, penso que cabe a quem investiu dizer de que maneira (onde nós já sabemos), com que propósito e quais os resultados obtidos, para que possamos ter clareza do que foi feito e para dizer se achamos justo que se gaste nosso dinheiro dessa forma. E acho que cabe a nós, filhos, pais, professores, jornalistas, padeiros, quadrinhistas, escritores, músicos, malabaristas, pipoqueiros, cristãos, ateus, éteros, gays, simpatizantes, liberais, reacionários e quem mais quiser, opinar sobre o acerto de tais investimentos. Por que não se faz uma audiência pública para se discutir os gastos com publicidade, para se normatizar tais gastos? Que tipo de comunicação os poderes devem produzir? É justo e desejável que se gaste tanto com comunicação? Ou 17 milhões nem é tanto assim e vai que alguém defenda um orçamento ainda maior? Essa seria uma bela discussão. O que a AL, o que os governos têm a dizer ao cidadão, o que devem dizer ao cidadão? Estão nos dizendo o que devem, até por obrigação de informar, nos dizer? Devem produzir peças lindas e superficiais, povoadas por gente feliz e bem tratada pela vida, com um off aveludado dizendo que somos o povo mais feliz do mundo ou devem produzir belas, honestas e criativas peças informativas e educativas? E o que seriam belas, criativas e honestas peças informativas e educativas produzidas com o dinheiro público?
Tento não achar, assim de saída, que a AL não tenha o que dizer, o que informar ao cidadão. E até compreendo que se gaste algum nesse esforço de informar. Mas tanto dinheiro assim? E para quê? Para nos manter realmente informados sobre o que acontece e o serviço que nos prestam ou para comprar e silenciar aqueles que deveriam nos manter bem informados? Segundo alguns, segundo muitos!, é para isso que esse dinheiro serve.
Mas vamos imaginar que nossos representantes, mesmo os que tenham as fichas mais sujas, mesmo os mais corruptos e contumazes compradores de votos e sabe Deus do que mais, não gastem dinheiro da AL, nosso dinheiro!, para silenciar a imprensa - e que nem os jornalistas e nem os donos de veículos aceitem receber dinheiro para se manter em silêncio, para desinformar seu público, que absurdo! - e tentemos acreditar que podem ter sido mais de 17 milhões inteligentemente e republicanamente bem investidos. Vamos tentar, vamos tentar. Nesse caso, já que pairam dúvidas, penso que cabe a quem investiu dizer de que maneira (onde nós já sabemos), com que propósito e quais os resultados obtidos, para que possamos ter clareza do que foi feito e para dizer se achamos justo que se gaste nosso dinheiro dessa forma. E acho que cabe a nós, filhos, pais, professores, jornalistas, padeiros, quadrinhistas, escritores, músicos, malabaristas, pipoqueiros, cristãos, ateus, éteros, gays, simpatizantes, liberais, reacionários e quem mais quiser, opinar sobre o acerto de tais investimentos. Por que não se faz uma audiência pública para se discutir os gastos com publicidade, para se normatizar tais gastos? Que tipo de comunicação os poderes devem produzir? É justo e desejável que se gaste tanto com comunicação? Ou 17 milhões nem é tanto assim e vai que alguém defenda um orçamento ainda maior? Essa seria uma bela discussão. O que a AL, o que os governos têm a dizer ao cidadão, o que devem dizer ao cidadão? Estão nos dizendo o que devem, até por obrigação de informar, nos dizer? Devem produzir peças lindas e superficiais, povoadas por gente feliz e bem tratada pela vida, com um off aveludado dizendo que somos o povo mais feliz do mundo ou devem produzir belas, honestas e criativas peças informativas e educativas? E o que seriam belas, criativas e honestas peças informativas e educativas produzidas com o dinheiro público?